Alzheimer: Escrever à mão ajuda a ativar o cérebro


A artista Simone Saiter trabalha com lettering e caligrafia. Foto Vitor Jubini.

Treinar a caligrafia desenvolve mais habilidades do que o ato de digitar


A caligrafia desenvolve mais habilidades do que o ato de digitar.

Qual foi a última vez que você teve que escrever algo à mão? Parece que, em plena Era digital, essa habilidade ficou até antiquada, sem utilidade.


Mas para a ciência, ela continua muito importante.


Numa época em que prevalecem a troca de e-mails e de mensagens pelo celular, uma pesquisa publicada na revista científica “The Journal of Learning Disabilities” mostrou que a escrita – e tanto faz se é de forma ou cursiva – ajuda no desenvolvimento do cérebro.


Digitar não traria o mesmo efeito.


Para o neurologista Flávio Sekeff Sallem, faz todo o sentido. “Não perder a escrita é fundamental, mesmo para pessoas que já nasceram em um ambiente digital”, defende o médico.


Segundo ele, a caligrafia estimula áreas específicas do cérebro. “Digitar é algo mais simples. Exige, basicamente, uma habilidade motora, de usar os dedos, e duas funções cognitivas: a localização espacial do teclado e a linguagem.


Já escrever à mão é uma tarefa mais complexa, que exige uma coordenação motora fina e não grosseira, e ativar funções como de leitura, memória e gramática, por exemplo.”


Relação


No estudo, os pesquisadores analisaram a relação entre a escrita e o desempenho escolar de crianças e constataram que aquelas que tinham uma letra mais bonita, ou seja, uma coordenação motora fina superior, se deram melhor na escola.


O hábito, de acordo com o neurologista, se mostra benéfico não só às crianças, como aos adultos também. Tanto que chega a virar uma prescrição médica. “A gente pede aos pacientes com Alzheimer, por exemplo, que escrevam. Pode ser para si mesmo ou para filhos e netos. Mas que escrevam. Pois isso exercita a memória, a linguagem”, explica Sallem.


Mesmo sendo uma usuária da tecnologia, a artista visual Simone Saiter é uma apaixonada pela caligrafia e fez dela seu principal modo de vida. “Escrever à mão exige técnica, treinamento para adquirir essa habilidade. Quanto mais se pratica, mais leveza e delicadeza ganham os traços”, afirma.


Ao contrário do que muita gente pensa, Simone diz que escrever à mão não é algo apenas mecânico. “É preciso saber observar, replicar, desenvolver traços específicos”, comenta ela.


Lettering


Mas tem gente despertando para essa arte, talvez até pela beleza que é. O chamado lettering virou moda e está nas paredes de cafeterias badaladas da cidade, em camisas, capas de livros, roupas, convite de festas etc.


“O lettering é uma letra mais desenhada, que tem muitas voltas e contornos. Requer criatividade e sempre fazer algo novo, formando uma harmonia. Ele tem diversas possibilidades artísticas. Em um dos meus trabalhos mais recentes, desenhei sobre um andaime, a cinco metros de altura”, conta Simone.


Simone mostra um trabalho usando a técnica do lettering, que virou tendência: criatividade e traços precisos.


COMO A CALIGRAFIA AJUDA


Para crianças


  • Facilita o aprendizado de letras e formas.

  • Aprimora habilidades motoras.

  • Ajuda a criança a se expressar melhor.


Para adultos


  • Facilita a memorização de datas, números e palavras.

  • Melhora o desenvolvimento de idéias.

  • Estimula o raciocínio por mais tempo.


Fonte: Isto É

Por: Paula Stange

Em: https://www.gazetaonline.com.br/bem_estar_e_saude/2019/07/escrever-a-mao-ajuda-a-ativar-o-cerebro-1014187561.html

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