Alzheimer: Dieta cetogênica pode melhorar a cognição no CCL e no início precoce do Alzheimer


A dieta cetogênica pode melhorar a cognição nos adultos mais velhos apresentando os primeiros sinais de demência, sugere pesquisa preliminar.


Pesquisadores da Johns Hopkins University School of Medicine em Baltimore, Maryland, descobriram que quando adultos mais idosos com comprometimento cognitivo leve (CCL) modificaram sua alimentação para uma dieta cetogênica pobre em carboidratos e rica em gorduras eles apresentaram discreta melhora da memória, medida por um teste padronizado.


"Se pudermos confirmar estes achados preliminares, a utilização de modificações alimentares para mitigar a perda cognitiva na demência em estágio inicial seria uma virada no jogo.


É algo que mais de 400 medicamentos experimentais não conseguiram fazer em ensaios clínicos", disse em uma declaração o pesquisador responsável Dr. Jason Brandt, Ph.D., professor de psiquiatria e ciências do comportamento, e neurologia.


O estudo foi publicado na edição de abril do periódico Journal of Alzheimer's Disease.


Registro de desenvolvimento de medicamentos é "desanimador"


Dos 413 ensaios clínicos com novos medicamentos para a doença de Alzheimer (DA) realizados entre 2002 e 2012, 99,6% das substâncias pesquisadas não produziu nenhum benefício significativo.


"Dado este péssimo desempenho da criação de medicamentos, e as consequências devastadoras da doença de Alzheimer para os pacientes e seus familiares, a descoberta de abordagens alternativas para o tratamento e a prevenção é essencial", escrevem os pesquisadores.


"A possibilidade de que alterações do padrão alimentar possam melhorar a capacidade cognitiva ou funcional dos pacientes, alentecer a progressão da doença, ou reduzir suas repercussões é promissora e merece ser pesquisada", acrescentaram.


Para comprovar a viabilidade da implementação da dieta de Atkins modificada (DAM) em adultos mais velhos com quadro inicial de doença de Alzheimer ou comprometimento cognitivo leve, e a analisar se as mudanças funcionais comportamentais, cognitivas e emocionais dos participantes são mais favoráveis entre os que estiverem fazendo dieta de Atkins modificada em comparação a uma dieta de controle, os pesquisadores fizeram um ensaio clínico randomizado de fase 1/2.


Os pesquisadores referem que, normalmente, o cérebro utiliza a glicose produzida a partir da quebra de carboidratos como principal combustível.


No entanto, nas pessoas com doença de Alzheimer na fase inicial, a capacidade de metabolizar a glicose está comprometida, e a glicose torna-se ineficaz como principal fonte de energia.


Alguns especialistas, disse o Dr. Jason, chegam a se referir ao Alzheimer como "diabetes tipo 3".


Os primeiros resultados sugerem que ao modificar a alimentação dos pacientes com comprometimento cognitivo leve ou doença de Alzheimer na fase inicial para um dieta cetogênica rica em gorduras e pobre em açúcar ou amido, o cérebro e o corpo começar a utilizar as cetonas – produzidas durante a metabolização de gordura – como fonte de energia alternativa.

É necessário fazer mais pesquisas


O estudo de 12 semanas começou com 27 participantes, mas devido à dificuldade de uma modificação completa da dieta e das medidas restritivas da alimentação, o número de participantes ativos caiu para 14.


A média de idade dos participantes foi de 71 anos. Metade eram mulheres, e todos eram brancos, exceto um.


Os participantes foram designados aleatoriamente para uma de duas dietas durante o período de 12 semanas do estudo.


Nove participantes fizeram a dieta de Atkins modificada, que restringiu a quantidade de carboidratos consumida para 20 gramas por dia ou menos.


Não houve restrição de calorias. Antes do estudo, os pacientes consumiam, em média, 158 gramas de carboidratos por dia.


Os outros cinco participantes seguiram a dieta do National Institute of Aging (NIA), que é semelhante à dieta mediterrânea.


A dieta do NIA não restringe os carboidratos e favorece a ingestão de frutas, vegetais, laticínios desnatados ou com baixo teor de gordura, cereais integrais e proteínas magras.


Estes cinco participantes continuaram a comer bem mais de 100 gramas de carboidratos por dia.


Foram coletadas amostras de urina dos participantes no início do estudo e a cada três semanas.


Os pesquisadores usaram estas amostras para dosar os níveis de cetona. Como esperado, não foram detectadas cetonas nas amostras de urina dos participantes que fizeram a dieta de baixo teor de gordura.


Em mais de metade dos participantes fazendo a dieta de Atkins modificada, pelo menos algumas cetonas foram detectadas na urina da sexta semana até o término do estudo.


Os participantes preencheram a avaliação cognitiva de Montreal (Montreal Cognitive Assessment, the Mini–Mental State Examination), o miniexame do estado mental, e a Clinical Dementia Rating Scale no início do estudo.


Os testes foram feitos ao ingressar no estudo e nas sexta e décima segunda semanas.


Na marca de seis semanas, os pesquisadores encontraram melhora significativa da memória, o que se correlacionou com os níveis mais altos de cetonas e menor consumo de carboidratos.


Ao comparar os resultados dos testes de lembrança tardia – a capacidade de lembrar algo que foi dito ou mostrado alguns minutos antes – em média, os participantes fazendo a dieta cetogênica melhoraram por alguns pontos (cerca de 15% da pontuação total), enquanto aqueles fazendo a dieta NIA perderam, em média, alguns pontos.


Os pesquisadores indicam que, embora esses primeiros resultados estejam longe de provar que a dieta rica em gordura pode prevenir o declínio cognitivo, são suficientemente promissores para assegurar a realização de estudos de longo prazo sobre o impacto da dieta na função cerebral.


Interesse crescente na alimentação


Convidada a comentar os resultados para o Medscape, a Dra. Heather Snyder, Ph.D., diretora sênior de operações médicas e científicas da Alzheimer's Association, que não participou do estudo, disse que as conclusões são interessantes, porém muito preliminares.


"É um estudo pequeno com apenas 14 participantes, de modo que certamente precisa ser replicado em um estudo maior.


Contudo, temos visto um número cada vez maior de estudos analisando a alimentação e a nutrição, como o estudo publicado no início deste ano, um ensaio clínico sobre uma bebida cetogênica e seus impactos.


Temos visto uma série de grupos em todo o mundo procurando intervenções do tipo cetogênicas para a saúde do cérebro, e não me parece que isso tenha sido bem compreendido até agora", disse a comentarista.


O Dr. Heather destacou ainda que o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. A comentarista comparou as mudanças alimentares à atividade física. Dra. Heather observou que as pessoas precisam encontrar algo de que gostem e que possam seguir fazendo. Caso contrário, a adesão a qualquer intervenção irá fracassar.


"Isto reforça a importância da realização de vários tipos de estudo – como bebida cetogênica versus dieta cetogênica", disse a Dra. Heather.


"Compreender melhor a alimentação e a nutrição irá nos permitir maximizar a saúde do cérebro à medida que envelhecermos".


O estudo foi financiado por subsídios do William and Ella Owens Medical Research Foundation, the BrightFocus Foundation e do National Center for Advancing Translational Sciences. As informações dos autores sobre suas relações financeiras relevantes estão disponíveis no site do periódico.

J Alzheimers Dis. 2019;68:969-981. Abstract


Por: Michelle E. Grady

Em: https://portugues.medscape.com/verartigo/6503762?faf=1&src=soc_fb_190809_mscpmrk_pt_top5&fbclid=IwAR3sseHtMamE7IjaVm8qEaNiViaVCQ9VTdLaBghI2I_WC43DZLP24N__-zQ#vp_2

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